terça-feira, 2 de abril de 2013

Mestre de artes marciais dá exemplo de vida



Patrícia Fernandes
patricia.fernandes@jornaldebrasilia.com.br


O olhar brilhante denuncia a sede de viver. Para ele, as limitações são apenas uma página do seu livro, que a cada dia ganha um novo capítulo. Após ser baleado em um assalto, o mestre em artes marciais Júlio Pudim, 46 anos,  ficou tetraplégico e viu sua vida mudar completamente. Mas o triste episódio não o impediu de seguir o caminho que escolheu. Ele continuou dando aulas e formando campeões.

O lutador afirma que em nenhum momento sucumbiu ao sofrimento.  Ele garante que não se considera uma pessoa diferente das demais. “Não me vejo como um guerreiro. As pessoas acham isso porque não existem muitas que queiram realmente viver. Então, quando você demonstra isso você se torna diferente”, avalia.

Esporte
Segundo ele, o esporte foi determinante para a sua recuperação. “Sempre fui do esporte e isso fez com que eu adquirisse, ao longo da vida mais auto-controle e inteligência emocional”, relata. Júlio também enaltece o papel de sua equipe na recuperação. “Eles foram uma família. Iam me visitar frequentemente no hospital. Nesses momentos, esse apoio é um grande diferencial”, declara.

Apesar de todo o entusiasmo pela vida, existiram momentos de desespero. “Eu sou um ser humano. Teve dias em que pensei sobre o que seria da minha vida. Sem andar, dependendo dos outros. Mas nasci pra ser feliz”, conta. O campeão ressalta que esses momentos não duraram muito tempo. “Quando a tristeza vinha, sabia que eu precisava mudar o rumo dessa história. Então, trilhei um caminho e estou me guiando nele diariamente”, disse.

Outro fator muito importante que ajudou Júlio na sua recuperação foi a perseverança, que ele confessa  ser muitas vezes exagerada. Ele vai até o limite nos exercícios. Algumas vezes, ele chegou a desmaiar em função do esforço excessivo”, lembrou o fisioterapeuta de Júlio, Gabriel Lavoura.

Caso raro pela fisioterapeuta
Além da superação, Júlio também é um caso raro para a medicina. O laudo dos médicos foi de que ele ficaria tetraplégico, perderia todos os movimentos abaixo do pescoço. Mas, incrivelmente, ele consegue mexer os dois braços. O esquerdo ele diz estar 100%. Além disso, o campeão não perdeu a musculatura que tinha antes do assalto. 

O fisioterapeuta Gabriel Lavoura, responsável pela recuperação do lutador, afirma que o caso é uma incógnita. “É inacreditável. Nunca vimos um caso parecido com o dele. Quando o conheci, não acreditei”, disse.

O fisioterapeuta relembra a complexidade do caso. “Como a lesão foi provocada por arma de fogo, os músculos e os nervos queimaram. Por isso, o esperado é que ele não mexesse nada abaixo do pescoço”, diz. Mas por ter toda a musculatura trabalhada, ele teve mais facilidade para assimilar os exercícios.


Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

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