quarta-feira, 12 de outubro de 2011

NAQUELA NOITE, DESEJEI SER CEGA!!!






De: Aline Altoé Duar




Sexta-feira, 07/10, 21:30, aproximadamente. Era para ser apenas um momento de "passa-tempo", enquanto esperávamos o horário de irmos ao aeroporto receber um amigo que chegava de viagem. Dia internacional de "happy hour", aquele bar, adequadamente batizado como Boteco, estava lotado. Solteiros, casados, amantes, apaixonados, felizes, depressivos, gordos, magros, videntes, cegos, homens, mulheres, pobres, ricos, todos eram iguais.
Meus quase 20 anos dedicados à causa da inclusão social da pessoa portadora de deficiência, da acessibilidade, fizeram saltar aos olhos dois trabalhadores que ali estavam: dois habilitados e bem treinados cães-guias. Bom vê-los ali, garantindo que aqueles dois cidadãos cegos estivessem conosco. Tive orgulho e cheguei a comentar com meus amigos a riqueza do projeto.
Acompanhei discretamente toda a independência promovida por este projeto ao vê-los sair do bar e irem em direção à calçada. Imaginei que aguardariam um taxi. Bingo! Se bem me recordo, um taxi do modelo Corsa-sedam cor chumbo parou. Percebi algo estranho na conversa entre um dos passageiros e o motorista. Quando o passageiro mais velho entrava no taxi, o motorista partiu, cantando os pneus. Sem o apoio do cão e com todas as dificuldades decorrentes de sua condição, o homem se desequilibrou, quase derrubou seus óculos e, por pouco, também não caiu.
Era possível ver a angústia daqueles dois homens diante daquele desrespeito. Indignação também expressa pelos clientes, algum discreto apoio da gerência...
Possivelmente, o ignorante (aquele que ignora algo!) taxista nunca ouviu falar de acessibilidade, do projeto do cão-guia, das políticas de inclusão social, tampouco das punições aplicadas àqueles que não as respeitam... Isto se não bastasse apenas falar de respeito aos semelhantes.
Com o auxílio dos clientes da mesa ao lado da minha, o passageiro mais velho e seu funcionário-cão conseguiram embarcar somente no terceiro taxi que parou frente ao bar. O mesmo gentil grupo colocou o outro homem e seu cão-guia em seu carro e seguiu viagem.
Naquele noite, tive vergonha ao enxergar aquela cena tão desumana...
Naquela noite, desejei, por um segundo apenas, que meus olhos me poupassem daquilo...
Naquela noite, desejei que aquele taxista vidente enxergasse!...

8 comentários:

filippin disse...

é...a santa ignorância

Nona disse...

É uma pena ver um profissional tão ignorante e com o coração tão duro!!! Foi uma pena não ter pego a placa do taxi para fazer um BO, ele poderia ter causado um acidente sério! Vamos ficar de olho!!!

Cadeirantes em Ação disse...

Esse tipo de coisa me deixa envergonhado!!

Sônia disse...

Infelizmente ainda existem pessoas assim... São pessoas movidas pela ignorância e preconceito... LAMENTÁVEL!!

Cadeirantes em Ação disse...

Infelizmente mesmo... Bjos

Roberta disse...

Infelizmente o maldito preconceito nunca acaba, pobre coitado viu...
Adorei seu blog
bjs

http://joaopedropc.blogspot.com/

Cadeirantes em Ação disse...

Nunca Roberta... Estamos tentando melhorar as coisas e mostrar que o mundo é de todos... Bjos

Amanda Mércuri disse...

Se eu tivesse presenciado essa cena, pode ter certeza de que eu faria questão de anotar a placa e denunciar! Mas infelizmente, essa é a realidade. A falta de respeito com o próximo é visível a todo instante...

Outra coisa que eu queria perguntar é se você conhece alguém que possa me ajudar... Eu sou estudante de Jornalismo na USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul). Estou desenvolvendo uma matéria sobre acessibilidade no transporte público em Santo André (SAtrans) e procuro por um voluntário para responder algumas perguntas sobre o tema. Por favor, se você souber de alguém que esteja disposto a colaborar com o projeto, me avise. Qualquer coisa meu e-mail é amanda_mercuri@yahoo.com.br

Obrigada.