sexta-feira, 10 de junho de 2011

Transplantado com células-tronco na Bahia tem avanços

Com pouco mais de 20 dias de tratamento na CASA (Clínica de Atenção à Saúde), da
Estácio FIB, o primeiro paciente com trauma raquimedular transplantado na Bahia já
fica em pé com sustentação dos membros superiores. A cirurgia ocorreu no dia 14 de
abril, no Hospital Espanhol, e no dia 18 de abril o paciente foi encaminhado para o
tratamento fisioterapêutico na clínica-escola do Centro Universitário.



De acordo com a fisioterapeuta, pesquisadora e fundadora da CASA, Claudia Bahia, o
tratamento realizado com o paciente, que está lesionado há nove anos, é feito
através da cinesioterapia (trabalho manual) e não com eletroterapia (terapia feita
com aparelhos). “Já existe atividade clara em tronco inferior e membros inferiores,
que permite ao paciente executar movimentos antes nem imagináveis: exercícios de
dissociação de cintura pélvica, ’posição de gato‘, sedestração em bola suíça (com
suporte em tornozelo) e bicicleta horizontal, com auxílio de membros superiores.



Cláudia Bahia afirma que a evolução do paciente é um passo importante nas pesquisas.
“Em apenas 23 dias já conseguimos obter resultados significativos”, diz. A
fisioterapeuta esclarece que disciplina é fundamental, para que sejam alcançados os
objetivos, que no primeiro dia de trabalho foram estabelecidos para o paciente. “Ele
é um exemplo de que, com determinação, tudo é possível”. “O paciente diz que vai
sair andando, com andador, mas andando. Mantém o sentimento real de que vai
conseguir”, complementa.



A pesquisa - Os primeiros testes foram iniciados no ano de 2005 e, desde agosto de
2010, 20 pacientes paraplégicos voluntários participam do projeto que tem como
objetivo a recuperação neurológica. A iniciativa faz parte de uma parceria entre o
Ministério da Saúde, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), o
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Hospital Espanhol,
Hospital São Rafael e o Centro Universitário Estácio FIB.



O primeiro procedimento é realizar a coleta das células no Centro de Biotecnologia e
Terapia Celular (CBTC), do Hospital São Rafael. Com as células prontas para o
transplante (o que dura em torno de três a quatro semanas), o paciente é submetido à
cirurgia e o passo seguinte é iniciar o tratamento de fisioterapia na clínica escola
da Estácio FIB. São seis meses de tratamento na CASA, dois meses intensivos, e os
outros quatro meses uma vez ao dia.







A participação do aluno - Durante todo o processo de tratamento na clínica, os
alunos podem se inscrever e participar dessa iniciativa, supervisionados por
professores - a coordenadora do curso de fisioterapia da Estácio FIB, Thaís Miranda,
professora Nadja Maciel e pesquisadores.



Miranda afirma que a instituição possui uma clínica bem estruturada, o que é
importante para que um paciente pós-cirurgia seja restabelecido. “No momento em que
a Estácio assinou o convênio, abriu portas para que o aluno fizesse parte da
história. Hoje, nossos estudantes já estão acompanhando o primeiro paciente após a
cirurgia e, assim como todos nós, estão encantados com a reabilitação. É uma mudança
de paradigma. Antigamente, não havia perspectiva para o paciente com trauma
raquimedular, agora, apesar de ainda não sabermos o alcance real de toda a
reabilitação, sabemos que o paciente melhora. E temos visto grandes progressos. Está
sendo fantástico!”.



Segundo transplante acontece esta semana



Para realizar o transplante, as células-tronco são retiradas do osso do quadril do
próprio paciente, separadas e enriquecidas em uma solução de hormônios, e vitaminas.
Na incubadora, em condições especiais de temperatura e umidade, as células-tronco se
multiplicam. Elas são mantidas por até um mês (em torno de quatro semanas). Esse
processo oferece aos cientistas a quantidade de células-tronco que eles necessitam
para a pesquisa.



O segundo paciente fez a coleta das células dia 29 de abril, no Centro de
Biotecnologia e Terapia Celular (CBTC) do Hospital São Rafael, e sua cirurgia deve
acontecer esta semana. Quatro dias após o transplante, o paciente pode iniciar o
tratamento de fisioterapia na CASA (Clínica de Atenção à Saúde), da Estácio FIB.



“A terapia celular é uma realidade. É o primeiro caso nesse modelo no mundo. É
inédito. A Bahia saiu na frente na historia e a expectativa é de crescimento, mas
depende dos resultados”, afirma Claudia Bahia. A partir dos progressos dos pacientes
transplantados, a equipe de pesquisadores pretende ampliar o atendimento para um
grupo maior. “Todo Fisioterapeuta tem de ser cauteloso, mas otimista. Por isso já
imagino que daqui a pouco poderei colocar o primeiro paciente na esteira”,
complementa a pesquisadora. “Uma caminhada de mil léguas começa com o primeiro
passo, então, estamos na estrada”, diz.



Ainda é possível ser voluntário



Para ser voluntário do projeto, o paciente paraplégico precisa seguir os seguintes
protocolos: a lesão não deve ter sido causada por arma de fogo, não pode ter mais de
5 cm de lesão medular, deve ter mais de seis meses e pode ter de 18 a 50 anos.



Segundo a pesquisadora, há muitas pessoas querendo ser voluntárias. Existem 20
voluntários cadastrados que realizarão o transplante e farão o tratamento
fisioterapêutico na clinica-escola da Estácio FIB gratuitamente. “No momento,
estamos trabalhando com pacientes paraplégicos, mas pretendemos evoluir e avaliar
outros protocolos”.

Fonte: http://www.noticiacapital.com.br/

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